Abordagem didática dos super-heróis do passado e do presente


Super-heróis do passado e do presente
Conhece com certeza o universo da Marvel e da DC Comics. Vê os filmes e as séries onde super-heróis dotados de poderes sobrenaturais enfrentam seres fantásticos representativos de conceitos associados, por exemplo, à maldade, à injustiça, à intolerância, etc...
Assiste assim a ações e lutas épicas entre o "Bem" e o "Mal" e é destes confrontos que pode retirar inconscientemente algumas lições, moralidades, noções do socialmente aceite, conceções do correto e/ou incorreto, etc...
Porém, já relacionou essa variedade de super-heróis da atualidade com a mitologia da Grécia Antiga?
Poderá aqui descobrir de forma lúdica a presença da mitologia grega nas artes, nomeadamente na literatura e no cinema, e ao mesmo tempo desenvolverá as suas capacidades interpretativas e criativas.
Mito e Epopeia
Heróis do passado e super-heróis do presente

Para conhecer melhor este semideus, veja o vídeo:
Heróis do passado
Ulisses - "Odisseia", de Homero
Ulisses é o lendário rei de Ítaca, mais conhecido como o herói da Odisseia - que conta a história da viagem de dez anos do herói de volta para casa depois da Guerra de Troia.
Ulisses não tem poderes sobre-humanos e enfrenta muitos desafios e problemas no caminho, mas ele vence os adversários, usando a sua esperteza e a sua inteligência.
Quando ele é capturado pelo ciclope Polifemo, um gigante de um olho que engole vários dos seus homens, Ulisses diz a Polifemo que o seu nome é "Ninguém", depois convence o gigante a beber vinho até cair e o cega-o usando um espeto de madeira. Polifemo grita de dor, mas quando os outros ciclopes perguntam o que aconteceu, ele responde "Ninguém me cegou!"
Os seus amigos pensam que ele está louco, e Ulisses e a sua tripulação conseguem escapar. Como prova da sua grande valentia e destreza e em virtude dos valiosos serviços prestados à pátria, Ulisses foi declarado semideus.

Circe, deusa feiticeira - "Odisseia", de Homero
Circe tinha habilidade de transfiguração e ilusionismo, e foi exilada para a ilha mítica de Eana com muitas ninfas de companhia.
Através de seu profundo conhecimento de poções e ervas e com o uso de seu cajado mágico, ela transformava seus inimigos - ou qualquer pessoa de quem não gostasse - em monstros e animais.
Foi assim que transformou a bela ninfa Cila numa criatura de seis cabeças e doze tentáculos que devorava marinheiros.
E quando Ulisses visitou a sua ilha, Circe não pensou duas vezes antes de transformar a sua tripulação em porcos.
Para conhecer melhor esta deusa da mitologia da Grécia Antiga , veja o vídeo:
Super-heróis do presente

Para conhecer melhor este super-herói atual, veja o vídeo:
Batman
Com Batman, a máxima do esforço como segredo do sucesso pode ser verificada.
Trata-se de um personagem que não possui qualquer poder sobre-humano nato. Todas as suas capacidades foram arduamente conquistadas com estudo e treino.
A superação de obstáculos na busca pelo aperfeiçoamento, característica marcante do homem-morcego, sustenta-se em valores e crenças muito fortes.
Batman costuma ouvir conselhos do seu mordomo, Alfred.
Assim sendo, buscar orientação com outras pessoas da equipa não é sinal de fraqueza.
Bruce
Wayne decidiu lutar pela justiça depois de ter presenciado o assassinato dos
pais quando criança e aproveitou os seus recursos financeiros (milionário) para
perseguir um ideal.

Para conhecer melhor esta super-heroína , veja o vídeo:
Mística (dos X-men)
O principal poder da Mística é a sua capacidade de mudar de forma, ao ponto de transformar o seu corpo para fins de espionagem, para distrair os oponentes e para melhorar as suas habilidades. Ela também pode ler as emoções dos seus inimigos e manipular sombras para atacá-los.
A Mística também pode usar esse poder para aprimorar as suas habilidades físicas. Por exemplo: ela pode fazer crescer outros membros no seu corpo para lutar contra vários oponentes ao mesmo tempo.
Devido à sua habilidade em mudar de forma, a Mística também precisou de desenvolver uma inteligência para conseguir realizar as suas missões de espionagem e de infiltração em locais secretos.
Intertextualidade
Neste separador, têm alguns exemplos de influências de certos textos literários sobre outros, que os tomaram como ponto de partida (intertextualidade).
"Ulisses" (excerto), de Maria Alberta Meneres
Narrativa baseada na obra "Odisseia" (poema épico) de Homero
«O ciclope acordou aos urros, e mais furioso ficou quando percebeu que
estava cego! (...)
No meio da noite cerrada, os seus urros e gritos ecoaram de uma forma tremenda.
Ele atroava os ares:
- Acudam, meus irmãos! Acudam, meus irmãos!
Os ciclopes das outras ilhas acordaram estremunhados e disseram uns para os
outros:
- É o Polifemo que está a chamar por nós e está a pedir socorro. Temos de
ir lá ver o que é, temos de lhe acudir!
E levantaram-se todos, e deitaram-se todos ao mar, e chegaram todos à porta
da gruta onde morava o Polifemo. Chegaram escorrendo água e frio e ansiedade.
Disse um: - Metemos o pedregulho dentro!
Responderam os outros: - Não, não. Olha que ele pode estar com um dos seus
ataques de mau génio e nós é que sofremos. Vamos perguntar o que lhe está
acontecendo, e depois veremos.
E assim fizeram. A conversa que se seguiu foi esta:
- Ó Polifemo, o que tens?
- Ai meus irmãos, acudam-me, acudam-me!
- O que foi, Polifemo?
- Ai meus irmãos, acudam! Ninguém quer matar-me...
- Pois não, Polifemo, ninguém te quer matar.
- Não é isso, seus palermas! O que eu estou a dizer é que Ninguém está aqui
e Ninguém quer
matar-me!
- Pois é, rapaz! É o que nós estamos a perceber muito bem: ninguém está
aqui e ninguém te quer matar...
- Não é isso, seus idiotas!...
E não havia maneira de se entenderem uns com os outros. Quando os ciclopes
perceberam que o Polifemo estava já muito zangado, dizendo sempre aquelas
mesmas coisas que eles já tinham ouvido, escorrendo ainda água e frio se foram
retirando para as suas cavernas das outras ilhas, comentado entre si: «Ora esta! Que ideia, no meio da noite cerrada acordar-nos assim
para nos dizer que ninguém estava lá e ninguém o queria matar... Coitado! Com certeza estava com alguma dor de
dentes!»
MENERES, Maria Alberta, Ulisses, Edições ASA
"Um mover de olhos, brando e piedoso", de Luís de Camões
Soneto de Luís Vaz de Camões de influência renascentista:
- Retrata-se a mulher amada cuja Beleza é dominada
pelos sentimentos, pela caracterização de ordem moral e psicológica.
Mulher comparada a Circe, feiticeira, possuidora de mágico veneno que transformou o "pensamento" do sujeito poético, ou seja, o sentimento do eu... em amor.

Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;
Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;
Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento;
Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"



